Homem No Espelho

Eu vou fazer uma mudança,  de uma vez por todas em minha vida.
Que vai fazer um bem maior, vai fazer diferença,
Vai consertar muita coisa…

Man In The Mirror, Michael Jackson 

Na língua portuguesa este verbo é mais abrangente do que em holandês e em inglês. Nas duas últimas línguas há um verbo específico (intransitivo) para quando você “muda de casa” (hol: verhuizen, ing: move) e outro (transitivo) para quando você muda a si próprio ou outra coisa (hol: veranderen, ing: change).

com cabelo

eu atualmente

Mudar não é fácil. O último implica uma mudança externa e outra interna. A mudança externa é mais fácil e a curto prazo. Produtos químicos podem alterar a cor dos seus cabelos, encaracolá-los, alisá-los ou mesmo deixá-los brilhantes. A roupa definitivamente faz o homem: podem deixá-lo mais alto, baixo, gordo, magro, sério, arrojado, amigável, carrancudo e assim por diante. Mudar o guarda-roupa ou pelo menos acrescentar mais itens não precisa ser algo caro. Quem pode dar-se ao luxo de tratar dos dentes de modo intensivo, terão dentes perfeitos em pouco tempo. Se você puder livrar-se dos óculos fundo de garrafa e optar por lentes de contato, cuidar de sua pele e ainda perder alguns quilos você pode dar uma forte impressão de que você mudou e é outra pessoa.

A mudança interna é mais complicada porque além de ser a longo prazo (ás vezes dura a vida toda) ela nos confronta com paredes muito sólidas, com os nossos próprios limites milenares baseados na fé, no que aprendemos com os nosso pais, naquilo a nossa própria cultura nos dita ou naquilo que nos convencemos ser o correto.

Até onde eu posso mudar ou até que ponto eu quero mudar? Dar-se conta de que é necessário mudar é o primeiro e mais importante passo mas é preciso que você esteja convencido disto primeiro.

Mas por que alguém iria preocupar-se de mudar por dentro se esta é a pessoa que ele foi desde criança? A gente deveria querer mudar quando descobre que a maneira como tratamos as pessoas as fere. Deveríamos nos perguntar mais se usamos as palavras corretas para nos referir ao que queremos. Deveríamos nos perguntar sempre porque as pessoas se distanciam. Eu sou orgulhoso demais? Obstinado demais? Eu sou um bom companheiro, colega, amigo, irmão, pai? Como não ouso perguntar por medo da resposta, prefiro policiar-me sobre onde devo fazer as alterações mais urgentes.

Pessoalmente quero julgar menos, falar menos; ouvir mais, indagar mais, aceitar mais, amar mais e dizer com mais freqüência que amo a quem eu amo. Quero também tomar mais iniciativa de me aproximar das pessoas embora eu ache isto ás vezes tão assustador porque me parece tão impertinente. Não quero fazer parte de nenhuma “panelinha”, quero fazer parte deste país inteiro, que me fez mudar tanto ao longo deste anos.