Nem dormindo, nem acordado, (…) nem nos acessos de loucura,  ou em qualquer estado de insanidade mental,  não há quem se considere alegre, quando não sente alegria,  ou pense sofrer alguma dor, quando em verdade nada sofre.

Sócrates no diálogo platônico “Filebo”. 

Fonte: http://br.egroups.com/group/acropolis

Fazendo uma retrospectiva de três anos, estou satisfeito com o que eu fiz e alcancei. Por outro lado, insisto em me cobrar pelas coisas que eu já deveria ter feito há mais tempo e ainda não fiz. Gosto disto. Acho saudável não ser uma pessoa conformada. De um ano para outro tudo muda. Dentro do pequeno punhado de pessoas que eu conheci (dentre os quais holandeses e brasileiros), vi muita gente mudando-se, partindo, retornando, casando, tendo filhos e separando-se. Assisti tudo como se eu fosse um telespectador, sentindo-me á parte de tudo e desejando um final feliz. Eu me considerava “estável”. Mas assim como quem assiste a uma novela, eu queria saber que fim estava reservado aos personagens do folhetim que eu acompanhava, não querendo eu aceitar que telespectadores também são atores. É próprio de mim não querer aceitar dor1as coisas como eles são. Eu tinha vários medos. Um deles era o de encarar verdades que me davam calafrios só de pensar nelas. Outro era o que fazer com a confirmação destas verdades. Eu preferia sempre optar pela “fuga fácil”, a mesma que a maioria aparentemente opta, isto é: fingir que está tudo bem (poderia ser pior!) e ser otimista (tempos melhores virão!) e assim tornei-me profissional em mentir para mim mesmo. A gente acaba acostumando-se com a rejeição, a dor, a solidão e até com o desrespeito. O pior é que quando não partilha-se isto com ninguém, começa-se a achar que isto é normal ou mérito. Não adiantava (no meu caso) revelar isto para alguém sem ser tachado de ingrato. A boa notícia é que tudo termina. Sempre há a chance de recuperar o “tempo perdido”, de amar de novo, de lutar por um ideal. Amar de novo não é apenas possível, é também desejável. Mas antes é preciso dar tempo ao tempo e deixar as feridas cicatrizarem. E parar de lutar contra esta tendência auto-destrutiva de não permitir-se amar. Escrever aqui é fácil. Difícil é ter de suportar a dor de uma tentativa frustrada de acertar úm tiro de misericórdia em si mesmo.