E a vedete de 2009 é, sem dúvida, o Facebook. Tudo começou para mim quando no final do ano passado alguns colegas de trabalho descobriram o Facebook em seus próprios países, fizeram perfis para si, introduzindo o site no escritório, enviando convites que não paravam de chegar, pois apenas ignorar das mensagens não funcionava. Lá naquele modesto começo não havia nenhum rosto conhecido em todo o site, exceto um colega, de forma que eu apenas confirmei conhecê-lo. Na verdade eu havia, mesmo sem o saber, aberto um perfil. Obrigado a este colega por ter insistido e tido paciência até eu vencer minha relutância.
 
 

 
Rede de contato não é novidade para mim e, creio que, para brasileiro nenhum. Estamos todos no orkut (nome do engenheiro turco que o inventou em 2004), site que pertence ao Google onde nós, brasileiros, somos a maioria esmagadora. Logo no início o site foi traduzido para português e todos nos acomodamos. Eu tenho um perfil lá desde que vim para a Holanda, em 2005. Era necessário ser convidado por um outro membro para fazer parte. Como eu estava morando do outro lado do oceano, achei prático juntar todos os meus ex-colegas de trabalho no mesmo lugar e acompanhar suas vidas através das suas fotos e suas andanças publicadas. Naquela época a câmera digital ainda estava em ascenção.
 
 

 
Apesar de o orkut ter mais membros brasileiros do que de outras nacionalidades, acabei na verdade perdendo o contato com a maioria dos conhecidos brasileiros, de todas as partes. O problema, segundo consta, é a falta de interatividade do site. Informações básicas como nome, idade e logradouro não fascinam por muito tempo. Apenas uma vez a cada dois anos eu sentia real necessidade de atualizar meu perfil pois outros tipos de informações básicas, tal como peso, preferências e relacionamentos ficavam frequentemente inexatas. Naquela época não existia um equivalente na Holanda e poucos holandeses achavam importante integrar um site de contatos. Explicar que eu estava num site de contatos e dizer o nome dele (orkut) era sempre muito hilário, já que o nome oor- significa algo como ao mérito e kut é nome pejorativo para o órgão sexual feminino. Vejam vocês em que os holandeses pensavam toda vez que eu dizia este nome! Enquanto na universidade em 2007, abri um perfil no recém-chegado Hyves (outra forma de ‘hives’, ou colméia em inglês) por livre e espontânea ‘pressão’ dos colegas. Todos os 7 milhões de usuários daquele site parecem ser de origem holandesa, com a minha desimportante exceção. O Hyves parece ter-se inspirado no Orkut. O conteúdo dos perfis são mais destacados, é possível adicionar música de fundo, uma foto sua como papel de parede, incluir todos os seus gostos musicais, todos os filmes que você já assistiu em casa ou no cinema e todos os lugares para onde você já foi de férias. Interessante, exceto pelo fato de que eu não conheço ninguém lá. Aliás, tampouco lembro o meu nome de usuário e a senha. Eu me conectei umas duas vezes, se muito, desde então. Existem outros sites de contatos também, como o Twitter e o hi5, mas eu nunca sequer cheguei a visitá-los, justo por causa da minha senhafobia.
 
 

 
Nisto Facebook chegou para revolucionar: um site de contatos no qual você pode conectar-se simplesmente para escrever o que você está pensando no momento, por mais desinteressante que outros possam achar. Eu particularmente gosto de partilhar a nostalgia que sinto de meu país, alguma insatisfação pessoal voltada para o dia-a-dia neste país, bem como fazer comentários sobre as notas de outros membros. Reencontrei conhecidos de décadas atrás, alguns de quem eu mal lembrava o primeiro nome. Existem pessoas que desgostam do site e compreendo o porquê, mas acredito piamente que o site anda de mãos dadas com a nova tecnologia da informação dos últimos anos e que será praticamente impossível seguir ignorando-a no para sempre.
 

 
 
Admito que tem vários aplicativos que não entendo. Eles estão por toda parte, a exemplo do Farmville, com o qual é possível brincar interagindo virtualmente: tratam-se de fazendas virtuais que podem localizar-se ao lado de fazendas de conhecidos seus. Por meio de um sistema de acumulação de tarefas e prêmios, você semeia e expande sua fazenda. É possível também adquirir animais. A plantação pode murchar por falta de acesso. Eu definitivamente não consigo acompanhar isto e as folhas sempre murcham. Também é possível fazer parte de comunidades, a título do orkut, e a grande diferença é que as comunidades do Facebook enviam genuínas circulares em retorno com notícias e novidades. Eu sou ‘fã’, por exemplo, das comunidades de Bebel Gilberto, Oprah Winfrey e dos Beatles. Adoro também o espírito brincalhão presente em algumas mensagens e como todo mundo, por um minuto, pareço esquecer dos problemas no instante em que me concentro no site. E claro, adoro todos os comentários e feedbacks vindos do Brasil.
 
 

 
A coisa que mais me assusta é a perigosa e silenciosa combinação de Facebook com iPhone. O Facebook já conta com um aplicativo no mesmo, que é prático e viciante pois facilita ficar em dias com as últimas atualizações dos ‘amigos’. É possível, por exemplo, tirar uma foto de algo que lhe chamou a atenção, com o seu iPhone, e imediatamente publicá-la no Facebook com comentários e dentro de minutos. Todas estas possibilidades me distraem, por exemplo, de ler um livro no trem enquanto viajo para o trabalho ou de prestar atenção ás pessoas ao meu redor, e isto inclui o meu namorado. O Facebook é revolucionário mas pretendo lutar para ceder menos ás tentações da alta-tecnologia porquanto isto represente um sério risco ao meu relacionamento ou aos demais contatos de carne e osso, que não podem ser negligenciados.