Em janeiro de 2010 escrevi um post chamado Deísmo que foi um verdadeiro sucesso de leitura e crítica, ainda anteontem (28-04-2012) recebi um. Gostaria de agradecer por todo o prestígio. Para mim é uma grande honra.

Mas tenho más notícias ao deístas e com certeza péssimas notícias à maioria teísta (que crê que Deus existe e que ele é onipotente e onipresente): desde 2011 eu me considero ateu. Isto é parte do motivo pelo qual eu não escrevi muito nos últimos meses. Eu precisava me inspirar. Eu precisava ruminar as palavras certas várias vezes para depois poder escrevê-las. Outro motivo foi a falta de tempo, em virtude da pequena empresas que montei no ano passado, além dos estudos que sigo como tradutor e intérprete. Mas definitivamente gosto de escrever e não pretendo parar nunca. Tenho vários outros tópicos em mente que estão ligados à nova maneira como vejo o mundo de lá para cá.

Nos primeiros meses após eu ter escrito o post do deísmo, comecei a me perguntar criticamente até que ponto eu acreditava realmente em Deus e acima de tudo, por que eu acreditava nele. Antes de me aprofundar no assunto do ateísmo, gostaria de esclarecer que o objetivo deste post não é criticar a fé de ninguém mas o leitor tem o livre arbítrio de optar por não continuar a leitura, e se o fizer é porque provavelmente também quer encontrar bons motivos para não acreditar mais em Deus. De forma que espero que tenha a mente aberta para entender os meus motivos pessoais.

Crise de Consciência

A fim de formar uma boa base para o meu ateísmo, resolvi mexer em toda a estrutura da minha “religiosidade”, a qual foi os anos da minha adolescência que passei entre as Testemunhas de Jeová. Assim como alguns outros ex-membros das Testemunhas de Jeová, eu continuava mantendo uma postura tolerante para com eles, apesar de um dia terem me rejeitado por eu ser diferente. E o motivo para tal é que as Testemunhas de Jeová acreditam na máxima de que os homens que tomam a frente da religião em Brooklyn, Nova Iorque, conhecidos internamente sob o código de escravo fiel e discreto, sejam a própria “organização de Deus na terra” e que todos os demais que se afiliarem à religião (pessoas imperfeitas esforçando-se, amiúde sem êxito, a viver uma vida sem pecados) devem aceitar isto como fato antes de tornarem-se membros. Estes também precisam entender que, se “falharem” (fizerem algo errado), não terá sido por culpa de Deus mas da própria pecaminosidade humana, pois, conforme um texto bíblico conhecido de cor e salteado pelas Testemunhas de Jeová, reza: “não é do homem que anda o dirigir os seus passos” (Jeremias 10:23).

De forma que baixei o livro Crise de Consciência em meu iPad, escrito por Raymond Franz, nada mais, nada menos que um membro do “Corpo Governante”. Corpo Governante é o nome jurídico dado aos homens nos Estados Unidos que tomam a dianteira da religião. Estes homens vivem e trabalham em Betel que significa “casa de Deus”, nome carinhoso dado à sede mundial das Testemunhas de Jeová em Brooklyn, Nova Iorque. Para mim seria importantíssimo saber o que realmente acontece nos bastidores deste “corpo” para poder dar o próximo passo. Eu nunca havia ouvido falar de um ex-membro do Corpo Governante que tivesse “vazado” informações particulares comprometedoras a respeito do dia-a-dia e das reuniões altamente confidencias em Betel realizadas. A impressão que algumas Testemunhas de Jeová têm (e eu também tinha) é que algo sobrenatural ocorria em Betel e que Jeová falava diretamente com eles e eles, por sua vez, nos transmitiam as informações cuidadosamente traduzidas por meio da revista A Sentinela.

Raymond Franz

Raymond Franz foi batizado aos 16 anos como Testemunha de Jeová nos primórdios da história da religião, em 1939. Assim como a maioria, ele ‘nasceu dentro’ da religião. Naquela época dava-se ênfase especial a ajudar nos países onde a ‘necessidade’ era maior, de forma que Franz ainda muito jovem seguiu “a cartilha” passo a passo e tornou-se missionário. Um missionário das Testemunhas de Jeová é visto internamente como um ministro especial. Ele domina a língua falada e escrita perfeitamente, fala mais de um idioma e está pronto para partir de seu país e morar no exterior, geralmente em países do terceiro mundo por um tempo determinado e que acima de tudo, dedica um quantidade exuberante de horas mensalmente ao serviço de “pregação” (como elas chamam o nome “evangelização”), tal qual um emprego por tempo integral. A diferença é que estes missionários não recebem salário algum, que dirá pomposo. Vivem de uma pequena ajuda de custo da Sociedade Torre de Vigia (o nome jurídico de Betel) e aceitam doações voluntárias do membros da religião por onde eles passam. Franz, nesta posição, passou até por várias privações físicas as quais ele expõe abertamente em seu livro. Devido ao excelente trabalho por Franz realizado, ele foi convidado à fazer parte do Corpo Governante a partir de 1964. Tratava-se de um inegável “privilégio”, extendido a uma pequena minoria apenas, minoria esta que também declara ter esperança celestial, isto é, que logo após a morte “serão imediatamente transformados, como que num piscar de olhos”. – 1 Cor 15:52.

Talvez por vir de uma família abastada ou talvez por ter tido acesso a boas escolas, ele foi convidado a participar de algo ‘grande’: a elaboração de uma obra que, para as Testemunhas de Jeová na época, era equivalente à Enciclopédia Barsa. Chamava-se Ajuda ao Entendimento da Bíblia lançado em inglês em 1971 em 4 volumes. Praticamente qualquer palavra, nome ou verbete em grego ou hebraico imaginável poderia ser pesquisado em ordem alfabética nesta coleção. Interessante é que o livro foi traduzido para várias idiomas, inclusive o português, após Franz ter pedido resignação das Testemunhas de Jeová. Mas por que o Franz pediria resignação?

Após dedicar-se fisica, psicologica e mentalmente por mais de quatro décadas às Testemunhas de Jeová, Franz acabou pedindo resignação de seus “privilégios”. Não porque estava cansado ou precisava aposentar-se, mas por ter simplesmente ousado defender um ponto de vista pessoal que ia além do do Corpo Governante. Tudo começou em 1975 quando ele começou a questionar-se porque determinadas leis a respeito de neutralidade em tempo de guerra eram mais rígidas para alguns países africanos do que para os países nas Américas. Em alguns países africanos homens foram brutalmente espancados, mulheres foram estupradas e crianças ficaram traumatizadas pelo resto de suas vidas por não terem acatado um simples pedido do governo local de se identificarem com um crachá específico. Até este ponto tudo parecia condizer com o que já havia acontecido anteriormente na Alemanha nazista com as Testemunhas de Jeová (na época chamadas de Estudantes da Bíblia) identificadas pelos nazistas com triângulos roxos. Por mais cruéis que os nazistas pudessem ter sido, ao menos eles deram aos Estudantes da Bíblia a chance de continuarem vivos, desde que assinassem um simples documento. Conforme as publicações das próprias Testemunhas de Jeová na época esclareciam, este documento apenas dizia que a pessoa em questão não assumiria nenhuma postura contra o Terceiro Reich. O documento nunca disse que era preciso mudar de religião ou negar a Jeová. Mas o Corpo Governante achou isso um ultraje ao “nome de Jeová” e incentivou todos os membros a não assinarem, o que levou à morte desnecessária de milhares de pessoas, alguns ainda bem jovens.

Apostasia

Mas quando a mesma situação ocorreu no México alguns anos mais tarde, o Corpo Governante pareceu ser bem mais condescendente. As Testemunhas de Jeová locais poderiam adquirir uma tal “carteirinha” que as tornavam isentas de servir ao exército. E adquiri-la não era somente uma questão de solicitá-la, era preciso subornar algum funcionário local para tal e mesmo este suborno foi discretamente incentivado pelo Corpo Governante.

Este foi a primeira vez que a fé de Franz foi abalada. A partir daí, ele não conseguiu ser mais o mesmo e continuou argüindo sobre outros “por quês”. Franz foi muito cândido ao descrever, por exemplo, como o Corpo Governante tratava assuntos de ordem íntima e pessoal de outros membros de Betel, que por si só eram horrivelmente embaraçosos. Exemplo: uma “irmã” “confessou” que ela e seu marido praticavam e gostavam de praticar sexo anal e oral. A regra entre as Testemunhas de Jeová na época e creio ainda hoje em dia é que, caso uma pessoa tenha “tropeçado”, ela precisa confessar-se, ser disciplinada e aguardar em silêncio para receber o “perdão” de Jeová em seu devido tempo. Um casal em sua intimidade e a honestidade de uma mulher confessando-se para outro ser humano (acreditando ela que ele representa a Deus) compensado com a expulsão, o que as Testemunhas de Jeová chamam de desassociação. E esta era a disciplina.

Visto Franz também ter sido acusado de agir contra a própria organização, a tão chamada ‘apostasia’, ele foi forçado a pedir resignação de seu cargo. Tendo trabalhado de graça como missionário durante toda a sua vida e em seguida no Betel de Brooklyn onde ele contava com uma ajuda de custo, ele e sua esposa perderam tudo e tiveram de procurar um lugar para morar. Algumas pessoas que se disponibilizaram em ajudar Franz e sua esposa eram coincidentemente ex-Testemunhas de Jeová que igualmente haviam deixado a organização por motivos semelhantes. Estes bons samaritanos de plantão e quaisquer pessoas que sequer lhes cumprimentassem, eram expulsos um a um, após cartas e mais cartas com forte teor de ameaças enviadas diretamente pela Sociedade Torre de Vigia. Em seu livro, Franz publica as cartas em sua totalidade.

A vereda dos justos é como a luz clara

A parte que mais me tocou foi a em que Franz mencionou que as reuniões do Corpo Governante não passavam de encontros casuais, mal-preparados e que a maioria dos membros não demonstravam o menor interesse de estarem ali. Estes mesmos homens, considerados líderes pelas Testemunhas de Jeová, recebem um bom salário para manterem um padrão de vida elevado, ao mesmo tempo que dão a entender para milhares de Testemunhas de Jeová no mundo todo de que são homens humildes e o único “canal de comunicação” de Jeová com o “seu povo”. Na verdade, não passam de meros mortais como quaisquer outros, na presidência de uma multinacional, visando lucro acima de qualquer coisa. Todas as Testemunhas de Jeová que um dia foram presas, espancadas, encarceradas ou assassinadas por causa de sua “consciência” devem as suas vidas a estes homens mal-preparados que um dia decidiram publicar na revista A Sentinela como elas deveriam encarar uma certa situação que punham as suas vidas em risco.

No ínterim Franz é falecido. Aos meus olhos, um exemplo de um verdadeiro homem. Pena que eu soube dele tarde demais. Em parte alguma em seu livro ele fez menção de as Testemunhas de Jeová serem uma grande fraude. O título de seu livro deixa claro que o problema gira em torno da lealdade à uma organização (uma religião) e não a Deus. Apesar de que, nos primórdios das Testemunhas, elas acreditassem que “religião era laço e extorsão”, excluindo a si próprias com estas palavras, atualmente elas se consideram, sim, uma religião, pois o nome vem do latim religio e significa tão somente ‘religação’ (com Deus, subentende-se). As crenças das Testemunhas de Jeová, porém, sofrem drástica metamorfose com os anos, segundo a conveniência do Corpo Governante delas. Um exemplo é a data para o Armagedom. Este nome está na Bíblia mas significa apenas “monte do Megido”, um lugar onde aconteceu uma batalha específica e fora isto, não tem nenhum significado especial mas que virou sinônimo de ”fim do mundo”.

E este “fim do mundo” tem sido um excelente slogan para as Testemunhas de Jeová. Além de não saberem quando vai acontecer, não fazem a menor idéia de como vai acontecer. Algumas têm pesadelos constantes com fogo, explosões, céus acinzentados, crateras que se abrem pelo chão, pessoas que apodrecem vivas e várias outras idéias hollywoodianas retiradas originalmente de qualquer um dos livros do velho testamento. Para diminuir a frustração delas, uma data é marcada aleatoriamente. O fim do mundo nunca chega na data prevista, eles se desculpam, deixam o assunto ser esquecido por um tempo e agendam uma próxima data. Se por acaso a pessoa “tropeçar” (cansar-se de tanta mentira e fizer algo útil de sua vida como estudar), eles dirão que a culpa foi da pessoa, por ter interpretado as coisas muito literalmente.

O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová encontrou um versículo na Bíblia para justificar estas alterações fraudulentas: “Mas a vereda dos justos é como a luz clara que clareia mais e mais até o dia estar firmemente estabelecido”. – Prov. 4:18. Eu acho esta passagem belissimamente poética mas estou certo que não justifica as milhares de mortes nos campos de concentração na Alemanha nazista, muito menos os assassinatos, os estupros nos países da África e a alteração das datas para o fim do mundo que o Corpo Governante continua empurrando em cima dos membros, claro que de forma muito mais discreta nos últimos dias do que nos anos anteriores.

Por que eu acredito em Deus mesmo?

Infelizmente Franz nunca chegou no ponto que eu queria ter lido. Li o livro dele com enorme prazer mas ele morreu à míngua, acreditando realmente que Deus existia. O meu próximo passo foi me perguntar honestamente: “por que eu acredito em Deus?” Como foi que isto começou?

Recentemente comecei a escrever a minha história como Testemunha de Jeová. É impossível escrever tudo de uma vez, de forma que vou dividindo em partes por ordem cronológica. Se você lir a minha história, verá que no fundo, ela não é tão diferente da sua ou de qualquer outro brasileiro de qualquer formação religiosa. E por extensão tampouco difere da formação de uma criança na Arábia Saudita, na China ou na África. Desde cedo na vida somos bombardeados com religião. Nos primeiros meses ou semanas de vida, numa época em que sequer sabíamos falar ou raciocinar, fomos “batizados” por um padre que respingou água em nossa cabeças. E a partir daquele momento, a pessoa é, digamos assim, “católico”. Quando crianças participa-se da catequese. Bíblias eram distribuídas gratuitamente ems alas de aulas. Aula de religião. E diferente das aulas de inglês, esta era obrigatória. Em nenhum momento, durante toda a minha infância e adolescência, nenhum adulto em poder de suas faculdades mentais plenamente desenvolvidas me perguntou honestamente se eu queria fazer parte de alguma religião. Ter uma religião é algo óbvio na maioria das culturas. Você TEM de acreditar em Deus, céu, inferno e no fim do mundo.

Deus, um delírio


Eu decidi ler algo ainda mais forte para encouraçar as minhas convicções. Quando vim morar aqui na Holanda, eu me assustei com as pessoas afirmando serem “atéias”. Apesar de, na época, eu já ser bem adulto e informado, eu me perguntei como era possível uma sociedade atéia ser exemplar, trabalhar, pagar impostos e não fazer mal a ninguém. Mas isto é o que eu vejo há 7 anos morando aqui. Em 2011 eu li o livro Sam Harris ‘A morte da fé’ em holandês. Achei o livro esclarecedor mas ao mesmo tempo, eu queria motivos para não acreditar em Deus e não motivos pelos quais as religiões, heranças de nossos pais, não devam ser levadas a sério. O livro de Sam Harris não era ainda o que eu precisava. Então encontrei na internet o livro de Richard Dawkins “Deus, um delírio” em português brasileiro e este sim, li com muito entusiasmo.

Eu queria entender como alguém pode ter tanta certeza de que Deus não existe. Porque se ele não existe, de onde vem todas as coisas? Como o universo pode ser tão perfeito? Como todos os pequenos detalhes dentro deste universo podem ser ainda mais impressionantes como a maneira como as células se reproduzem, como o sangue é bombeado ou mesmo como uma flor se desabrocha. Vamos supor que tudo isto apareceu por acaso, será que pode desaparecer por acaso da mesma maneira que surgiu? No final das contas, eu sei que as respostas à estas perguntas são apenas filosóficas e pessoais. Eu também havia entendido que “optar” por ‘deus não existe’ significaria passar uma borracha em cima de várias outras crenças que vêm acopladas à Deus: anjos, extraterrestres, diado e demônios, todas as formas de me expressar com palavras que incluam Deus (deus-nos-acuda, Deus me livre!, graças a Deus, etc)*.

Mas o que eu gostaria de saber mesmo era qual o ponto de vista de um professor de uma renomada universidade. O livro de Richard Dawkins começa muito parecido com o de Sam Harris mas de certa forma a gente sente mais auto-confiança nas palavras de Dawkins. Ele vai mais a fundo na ciência e deixa claro por a mais b que muitas das crenças religiosas não tem o menor respaldo científico mas que já estamos tão acostumados a acreditar que Jesus andou sobre as águas, que ressuscitou os mortos, que ascendeu aos céus, que Moisés dividiu o Mar Vermelho e que uma serpente falou com Eva e frustrou os planos de deus por ela simplesmente ter comido um fruto proibido, que acabamos achando isto normal.

A Bíblia nos ensina que deus é onipotente, onipresente e onisciente. Ou seja, neste exato momento em que estou teclando isto, deus está me observando. Aliás, apesar de soar arrogante, ele está agora mesmo atrás do meu ombro. É isto que onipresente significa, não? E se ele é onipotente, ele resolveria o problema da falta de variedade de frutas no Jardim do Éden e imporia maior controle na população das cobras falantes facilmente. Eu e você não poderíamos fazer isto, mas se tal termo “onipresente” fosse aplicado na vida real, ele poderia. E por ultimo ele é onisciente, de forma que ele ve a humanidade se auto-destruir de braços cruzados e não fez nada para impedir.

Ele vê milhares de pessoas padecerem até a morte de fome, sede, doenças e não faz nada. Se nós estivéssemos falando de uma pessoa de verdade com todos estes poderes, nós os chamaríamos de sádico. É como se o Superman existisse e visse a Lois Lane caindo de um prédio mas se negasse a salvá-la por algum motivo pessoal, talvez vê-la sendo esmagada contra o chão?

O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová tem outra fábula para explicar o porque de deus ficar de braços cruzados. Usando da história de Jó na Bíblia como base, elas creem estarem sendo testadas pelo Diabo. E este teste, convenientemente, inclui as criaturas espirituais que ninguém nunca viu. Partindo do princípio que nunguém lê ou leu a Bíblia por ter mais o que fazer, farei um resumo:

  • – Na Terra: Jó é rico e tem vários filhos e filhas belíssimas
  • No céu: o diabo (apesar de ter tantas outras pessoas com quem se preocupar) invadiu o escritório de deus e lhe propôs uma aposta. Apesar de deus ser contra jogatina, ele aceitou. O diabo testaria Jó e em troca Jó poria a culpa em deus. Detalhe: milhares de anjos estavam observando calados, como que eles mesmos tendo alguma dúvida
  • – Na terra: o diabo mata a todos os filhos de Jó, os seus gados são roubados (os capatazes de Jó devem ter morrido também) e para completar, Jó teve o corpo todo infestado de furúnculos. A sua esposa chegou a conclusão que dizer que tudo era culpa de deus resolveria a situação. Mas Jó em nenhum momento disse nada.
  • – No céu: o diabo perdeu a aposta e….?

Nada mudou. Tudo continua na mesma. A moral da história era que deus está de mão amarradas por que o diabo passou na cara dele que se ele ajudasse as pessoas, elas apenas o serviriam por interesse. E é nestas horas que eu começo a enxergar um monte de coisas desnecessárias na Bíblia:

  • – toda a humanidade envelhece e morre porque Eva comeu do fruto proibido. Ou seja, nós pagamos eternamente pelo erros dos outros.
  • – Jesus veio para nos salvar. Salvar do que? Por que já faz 2000 anos que ele esteve aqui e na minha opinião as coisas apenas pioraram. Se ele nunca tivesse nascido, ele teria nos salvado dele e de todas as guerras que já ocorreram em nome da religião

Deus sem você não existe

E este é um dos motivos pelos quais deixei de me considerar deísta. Deístas acreditam que deus exista mas que por algum motivo, ele não se envolve com os problemas da humanidade. Isto soa como uma pessoa que comprou algo para pagar em 12 prestações mas que após a 6a mensalidade decidiu parar de pagar e não se importa com as cartas de cobrança e de ameaça de ter o nome do SPC. Se o deus do deísmo existe, não consigo vê-lo muito diferente do meu pai biológico e de quaisquer outros politicos corruptos que prometem mundos e fundos sem a menor intenção de cumpri-los.

As palavras aqui podem soar duras mas caso queira realmente se libertar da hereditariedade da religião (a menos que, por exemplo, tenha decidido virar católico após os 30 anos) será preciso gritar isto para os 4 cantos do mundo e manter posição firme. A sua página de contatos sociais é abarrotada diariamente de posts que rezam algo como “Com Deus eu posso tudo”, mas tente publicar algo como “Você sem deus é você e deus sem você não existe” e corra sérios riscos de ser “desamigado” por vários deles. O que não é algo necessariamente ruim. Ao menos saberá claramente quem gosta de você. Quem gosta de você respeitará o seu ponto de vista. Se este amigo fosse o vizinho da frente, ele faria você “sumir” do universo para lhe evitar? Então, faça um favor a si mesmo e se livre deles antes. Conheça pessoas que pensam como você. Faça parte de grupos como o ATEA (124.000 cliques de “curtir”) e fortaleça a sua falta de fé. Outro grupo interessante é o SOU ATEU, BRASIL (quase 7000 membros). De vez em quando o grupo é bombardeado por um religioso fanático semi-analfabeto (ou totalmente analfabeto) dizendo que todo mundo vai queimar no fogo do inferno e isto é apenas uma reafirmação de o quanto a religião cega as pessoas e de que estamos realmente no rumo certo, no rumo da razão, no rumo de uma sociedade laica, que não precisa de deus para formar bons cidadãos.

*Para escrever este post até aqui eu optei por escrever Deus com letra maiúscula. Fiquei apreensivo que o leitor pudesse se ofender e parar no meio. Eu também evitei usar outros termos como “divindade” etc pois o leitor poderia se confundir. Creio que se você leu até aqui e continua interessado, não vai desistir agora. Doravante leia-se “deus”, com inicial minúscula.